COMÉRCIO ILEGAL: REORDENAMENTO DA ORLA É A SOLUÇÃO


Crescimento descontrolado de ambulantes nas praias de Florianópolis causa transtornos e concorrência desleal. Os beach clubs não são contra o comércio ambulante, ao contrário, defendem o reordenamento da orla para uma coexistência complementar de serviços.


Em uma década, o número de ambulantes autorizados pela prefeitura de Florianópolis triplicou na praia de Jurerê Internacional durante a temporada de verão, passando de 56 para 153. Além dos regulamentados, outros tantos sem nenhum tipo de licença operam na orla. Isso provoca concorrência desleal com o comércio local, prejudica o meio ambiente e traz insegurança aos moradores e veranistas.

Recentemente foram flagradas construções de estruturas fixas na areia da praia, em média duas barracas em frente a cada beach club, que vão abrigar ambulantes. A pergunta que fica é: quem vai fiscalizar os tipos de produtos comercializados e a destinação do lixo e resíduos ali produzidos?

“O comércio ambulante é uma forma de inclusão social e facilidade de serviços. Porém, precisa ser regulamentado. É lamentável olhar para Jurerê Internacional e ver nosso negócio consolidado naquele endereço ter concorrência extremamente desleal pelos ambulantes irregulares. A palavra mesmo diz, ele precisa perambular pela areia e não fixar casas em pontos específicos como vem ocorrendo”, justifica o proprietário do restaurante La Serena, Leandro Adegas.

Os beach clubs não são contra o comércio ambulante, ao contrário, defendem o reordenamento da orla para uma coexistência complementar de serviços, além de incentivarem a contratação de ambulantes moradores da cidade, que conhecem bem a praia e seus atrativos. “Houve um período em que havia reuniões semanais entre Habitasul, beach clubs e Associação dos Ambulantes, de forma a regulamentar as ações sem entrar em conflitos. Nossa sugestão é de que voltemos a nos reunir para encontrar uma solução sustentável para melhor atender ao público”, destaca Leo Ribeiro, sócio do Café de La Musique.

O sócio do 300 Cosmo Beach, Tiago Escher, enfatiza que é conhecida a dificuldade que o poder público possui para fiscalizar a ilha. “Seja pela amplitude de seu território, ou pela dificuldade financeira, que acaba limitando a contratação de pessoal e estruturas auxiliares para fazer essa fiscalização. Entretanto, providências precisam ser tomadas, pois Florianópolis está sofrendo cada vez mais, principalmente junto ao público mais qualificado, que investe no mercado imobiliário, consome serviços e possui poder de compra, gerando consequentemente emprego e renda para a Capital”, comenta.

Especialistas defendem o uso ordenado da orla


A especialista em responsabilidade social, Salete Pereira, afirma que é urgente a necessidade de gestão qualificada dos espaços e equipamentos públicos. Segundo ela, que foi membro do Comitê Gestor da Bandeira Azul Jurerê Internacional e da Comissão da ABNT para a criação de uma ISO de gestão de praias, todo início de temporada a praia entra em fase de quase morte. Uma corrida desenfreada pelo ganhar, a qualquer custo, um espaço na areia para fazer uma renda extra.

“É preciso repensar o modo de usufruto desse ecossistema, ter coragem para organizar, reeducar, reconectar e qualificar seus equipamentos, sustentar o espaço, o ambiente e as pessoas de modo que haja equilíbrio no tripé social, ambiental e econômico. Na Europa, o sistema ordenado e integrado funciona muito bem, por que não tentar esse modelo no Brasil?”, afirma.

A advogada especialista em Direito Ambiental, Rode Martins, destaca que todos querem um bairro pulsante, dinâmico, com vários serviços, mas sem que haja interferência na orla.

“Queremos a riqueza gerada pelo turismo, mas não queremos o turista. Para que tenhamos prosperidade com sustentabilidade é necessário um olhar diferenciado e integrado sobre o espaço envolvendo natureza, economia, cultura, lazer, conforto, no qual nenhum deles se sobressai, mas se harmonizam entre si”, pontua.

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O conteúdo que interessa por Douglas Ferreira e Hugo Alencar. Estilo de Vida; Mindfullness; Arquitetura; Gastronomia; Entretenimento; Moda; Cultura e Tecnologia.

 

A revista Jurerê é hipersegmentada para o público de alto padrão.

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